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»  Saks investe em ternos de US$ 7 mil

18/02/2009

Por Stephanie Rosenbloom
 

Mesmo em tempos de crise,
Saks aposta em compradores
que não abrem mão do luxo

Durante anos, os executivos da Saks Fifth Avenue cortejaram uma das coleções de trajes masculinos mais exclusivas do mundo. Eles foram até a Itália, onde trajes da Kiton são cuidadosamente costurados à mão e vendidos a lojistas em quantidades modestas.

Gradualmente, uma seleção limitada de roupas passou a ser oferecida em lugares de Beverly Hills e Chicago. Finalmente, o sonho da Saks de abrir uma grande butique da Kiton em Nova York se tornou realidade - a tempo para a pior recessão dos últimos 70 anos.

A loja está prestes a descobrir quantos homens sobraram em Nova York com o dinheiro, e a coragem, para pagar mais de US$7 mil por um terno exclusivo, ou até US$21.025 por uma versão de encomenda.

Para os que se preocupam com o orçamento, os óculos de sol da Kiton podem sair por US$1.395. As calças por US$1.195. E os jeans? Apenas US$795. Hoje, a loja emblemática de Manhattan planeja revelar o que os executivos chamam de jóia do departamento masculino: uma butique de 185m² dedicada à grife de luxo italiana. A loja possui um piso de mármore Carrara e vista para o rinque de patinação no gelo do Rockefeller Center, perfeitos para o coquetel de 26 de fevereiro que a Saks oferecerá para seus principais clientes. A companhia não divulgou quanto está gastando com a abertura da butique.

As pessoas no comando da Saks estão apenas um pouco encabuladas em apresentar roupas caras em um momento tão terrível. (A Saks, como muitas lojas, tem oferecido descontos de até 70% para mercadorias de alto padrão). "Essas decisões são tomadas com um planejamento significativo," disse Ronald L. Frasch, presidente e chefe de promoção de produtos da Saks. Ele enfatizou que não voltaria atrás na decisão mesmo se pudesse. "Uma loja como a Saks precisa ter os melhores produtos disponíveis", disse Frasch. "E realmente acredito que o homem que deseja se presentear de uma forma especial ainda exista."

Em uma recessão, um varejista de luxo como a Saks anda no fio da navalha, tendo que diminuir os custos de operação para sobreviver à redução de gastos do consumidor e ao mesmo tempo manter seu status como provedor de grifes de elite.

Os números sugerem que muitos consumidores ainda estão usando ternos e vestidos do ano passado. Todas as grandes lojas de departamento, das mais luxuosas às mais populares, estão sofrendo quedas nas vendas, com o setor de luxo passando pelas maiores dificuldades. As vendas nas lojas Saks abertas a pelo menos um ano, um índice importante para medir a saúde do varejo, caíram 23,7% no mês passado. E a companhia eliminou 1,1 mil empregos, ou cerca de 9% de seus funcionários.



O otimismo da Saks em relação à Kiton vem das vendas de sua coleção de outono, que foi em parte oferecida pela primeira vez em Nova York no mês de junho. A companhia se recusou a fornecer números exatos, mas disse que as vendas da grife excederam suas expectativas - que eram altas, pois foram estabelecidas na primavera americana de 2008, muito antes da crise no comércio.

"Tivemos uma primeira temporada muito impressionante com a coleção, disse Tom Ott, vice-presidente sênior e gestor geral de produtos para trajes masculinos e móveis para o lar da Saks. "Isso só mostra que no final das contas, o consumidor está buscando valor. E valor não está apenas no preço."

A Kiton - que emprega 330 alfaiates para a confecção de trajes à mão - produz apenas algumas milhares de peças por ano. São necessárias 25 horas para se confeccionar uma jaqueta. Fãs das roupas da Kiton, um grupo fiel, dizem que os trajes são macios, leves e primorosamente confeccionados. Eles dizem que os trajes têm o caimento de uma segunda pele. Um paletó pode supostamente ser esmagado no assento do avião em um vôo longo sem amassar. "É preciso ter uma certa renda para apenas chegar a considerar" a linha Kiton, disse Simon Collins, reitor de moda da Escola de Design Parsons. "Depois de vesti-la, você não consegue voltar atrás."

Detalhes pequenos e caros de alfaiataria são a marca da grife. Diferente de muitos paletós, os da Kiton têm "mangas de cirurgião," ou botões que abrem nos punhos. Alguns consumidores deixam alguns botões abertos como um símbolo sutil de seu status. Mas Collins, que tem uma jaqueta da Kiton, descreveu isso como um hábito de mau gosto. "É algo que se faz por ostentação," ele disse. "É mais elegante abotoar tudo."

Muitos funcionários da Saks visitam as fábricas da Kiton na Itália, sendo capazes de explicar aos clientes porque estão pagando tanto. Frasch espera que a nova loja se saia bem. Mas nem mesmos as lojas de luxo têm bolas de cristal."Estamos jogando no escuro e isso pode ser dito sobre qualquer lojista do setor no momento," ele disse.

Os números das vendas de roupas do SpendingPulse, um relatório da MasterCard Advisors, e de outros grupos mostraram que as roupas masculinas estão se saindo melhor que as femininas - uma tendência já verificada nas últimas crises econômicas, com homens passando a se vestir mais formalmente por medo, talvez, de perderem o emprego.

Walter Loeb, presidente da Loeb Associates, uma consultoria do varejo, disse que embora a roupa masculina seja tipicamente um item opcional do orçamento familiar, mais homens estão usando ternos e gravatas hoje em dia. "Eles querem passar uma imagem de polidez e assumir o comando da situação," ele disse. "Nessa recessão em particular, na qual as pessoas já se sentem ameaçadas apenas pelas notícias de desemprego ao seu redor, é preciso tomar cuidado com o comportamento e a aparência."

A loja da Kiton na Saks não é, no entanto, uma estratégia contra-intuitiva à recessão. Pelo contrário, ela é parte de uma renovação mais ampla do departamento masculino, que já acontece há mais de dois anos. Atrasos na construção e fabricação empurraram o lançamento para agora. E embora o momento possa ser desfavorável, Ott disse que a Saks está investindo na Kiton para o longo prazo. "Acho que já passamos por momentos difíceis antes na Saks Fifth Avenue," ele disse. Parte do negócio de artigos de luxo, talvez especialmente em tempos difíceis, é jogar com as fantasias dos consumidores. "Você sabe," Frasch disse, "todo mundo sonha".

The New York Times





 


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