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Arte de transformar sonhos em realidade

Flavia Bravo entrevista Chris Ayrosa. Chris consegue materializar ideias inusitadas de projetos de casamentos de magnatas, lançamentos de carros, novelas globais a jornadas religiosas.

Flávia Bravo e Chris Ayrosa
Flávia Bravo e Chris Ayrosa

 


Na coluna Talento desta edição escolhi uma das pessoas mais encantadoras do Brasil na área de eventos.
Respeitada internacionalmente por suas criações na cenografia de tantos eventos mágicos, Chris Ayrosa é um talento que se revela na criatividade de cada projeto que executa.

Chris consegue materializar ideias inusitadas de projetos de casamentos de magnatas, lançamentos de carros, novelas globais a jornadas religiosas. Talvez por sua bagagem cultural, extremo bom gosto e doçura tão grande ela consiga ter uma sensibilidade como poucos para entender os desejos de seus clientes e desenvolver eventos memoráveis.

Em visita a seu galpão em São Paulo, conheci melhor a sua história e quero dividi-la com vocês.

Flavia: Quero saber um pouco da sua história. Como você começou sua carreira?

Chris: Fiz faculdade de história na época da ditadura. Sempre gostei de criar coisas. No segundo mês de aula vi uma sala lotada de jornais e descobri que seria a futura hemeroteca. Então me candidatei, e com uma rinite alérgica monstruosa comecei a trabalhar. Sem nenhuma tecnologia eu foto-filmava tudo e passava para um visor. Foi minha grande descoberta de como fazer uma coisa inerte virar algo diferente. Nesse tempo casei e tive minha primeira experiência em evento.

Queria algo diferente, sem flores, apenas tucheiros ligados um ao outro com fita. Na minha entrada, resolvi que apagassem a luz. Meu vestido era todo medieval e as damas tinham vestido de veludo. Isso porque na minha faculdade havia um conjunto de música medieval que achava lindo e queria que eles tocassem na festa. Minha avó dizia, “Pena que no momento mais importante da cerimônia, quando todo mundo queria te ver, acabou a luz”. Não sei o porquê dessa ideia até hoje.

Flavia: Você é reconhecida internacionalmente pelos belos eventos que realiza. E muita gente relaciona isso a uma fortuna de gastos. Mas não é necessariamente isso que acontece, não é?

Chris: Hoje em dia, esse negócio de pós-luxo vem ficando cada vez mais forte, é uma tendência importante. Uma oportunidade são essas aulas de MBA que nós estamos dando para o mercado de luxo na área de cenografia. Chegamos à conclusão que é importante mostrar que o lustre de cristal Baccarat, o tapete persa e todo aquele luxo gratuito é cada vez menos importante numa celebração.

Flavia: O que sua carreira tem a ver com leilões?

Chris: Antes de terminar a faculdade queria já ter algo amarrado para fazer. Então comecei a trabalhar no museu, onde fiquei por cinco anos e realizei tarefas incríveis até ter minha primeira filha. Na época, meu pai já mexia com gado de leite e meu irmão com cavalo árabe. Já tinha um pé na agropecuária e as exposições eram sempre muito raízes, com arquibancadas de circo com pregos que furavam a calça. Uma pessoa me perguntou por que eu não fazia cenografia para os leilões no Brasil. Passaram-se dois meses e eu comecei. A parte corporativa também começou a surgir e fui fazendo um pouco de cada coisa.

Flavia: O interessante é que você conta sobre sua vida profissional pontuando coisas pessoais. Sempre lidou com isso muito bem e é por esse motivo que consegue ter sucesso nas duas áreas. Como conseguiu conciliar tudo?

Chris: Esse talvez seja o meu maior desafio. Era muito triste quando tinha que sair pra fazer eventos bacanérrimos fora e ficar dias sem as meninas. Elas eram pequenas e o Alcides ou a babá tinham de cuidar, mas era algo que me doía muito porque sempre gostei de participar. Hoje, todos trabalham comigo. A Carol na área de planejamento e estratégia, a Ju na área de design e o Alcides na parte financeira.

Flavia: Quantos funcionários você tem aqui no escritório?

Chris: No escritório e no galpão, temos cerca de 35 pessoas, indiretamente são muitas mais. Quando se lida com o público, a grande diferença é descobrir os talentos corretos e colocá-los estrategicamente nos pontos certos. E esse talento, de uma certa maneira, é algo que só se consegue com experiência. É preciso polir essas pessoas para que elas entendam que o cliente é a coisa mais importante.

Flavia: De onde você acredita que veio esse seu bom gosto, seu senso estético. É da sua família, de referências da sua infância?

Chris: Na verdade eu não sei. Acredito que já nasci com isso. Acho que pessoas que têm esse gosto pelo belo já têm isso dentro de si e por alguma oportunidade, como aconteceu comigo, isso aflora. Racionalizando um pouco, sempre quis buscar o belo através de um desafio. Não era o belo pelo belo. Sempre gostei de me sobressair, eu sou leonina. Então, o diferente sempre me atraiu muito.


Sobre Flávia Bravo

Carioca com alma paulista. Da mãe, museóloga, herdou o gosto pelo detalhe e pela beleza. Do pai, jornalista, o prazer pelo trabalho. Flavia Bravo, formada em Comunicação Social, traçou sua ascendente carreira em marketing em empresas de grande porte, como Sony, White Martins, Embratel e Visa Vale, onde atuou como gerente da área. Complementou sua formação acadêmica no Canadá e na França. Flavia Bravo é sócia e vice-presidente do Grupo Companhia ao lado de Marcio Moraes, CEO da empresa.

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