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Paris celebra Jeanne Lanvin e sua elegância atemporal

Como definir o que é “chique”? O Museu da Moda de Paris responde a essa pergunta com uma mostra que homenageia a elegância apurada e atemporal da discreta Jeanne Lanvin.


Jeanne-Marie Lanvin foi uma estilista francesa. A empresa de moda que leva seu sobrenome foi fundada em 1909.

Na hora de ilustrar a palavra chique, penso em Jeanne Lanvin, mais do que em qualquer outra, diz Olivier Saillard, diretor do museu, ao apresentar a exposição. “Tinha algo discreto e muito distante com relação à moda, uma forma muito apurada”.

A mostra, que fica no Palácio Galliera de 8 de março a 23 de agosto, reúne uma centena de modelos da estilista, que nasceu em 1867 e foi nos anos 1930 um exemplo da elegância francesa após debutar como criadora em 1885.

“Mademoiselle Jeanne” abriu quatro anos depois sua primeira loja de moda e em 1893 outra na famosa rue Saint Honoré, na capital francesa, sinônimo de distinção.

O grande acontecimento em sua vida pessoal e criativa foi o nascimento em 1897 de sua filha única, Marguerite, adorada por uma mãe que começa desenhando para suas bonecas e depois de menina.

A própria logomarca da maison Lanvin lembra, a partir de 1927, no frasco do perfume Arpège e até hoje, essa relação especial, em um desenho inspirado em uma foto e um desenho de Paul Iribe que as representa.

Para vestir sua filha, a estilista foi pioneira no mercado de roupas infantis a partir de 1908, antes de ingressar no exclusivo clube da Alta-costura feminina.

Nos anos 1920 cria vestidos de noiva, lingerie e peças em pele antes de incursionar pela moda masculina e abrir lojas em Deauville, Biarritz, Cannes, Barcelona e Buenos Aires.

“Nessa época uma loja na Argentina e em alguns outros países da América Latina era mais importante do que nos Estados Unidos, as clientes norte-americanas de Alta-costura viajavam para Paris”, diz Saillard.

À frente de seu império, Lanvin não costurava, não cortava, nem sequer desenhava, mas dirigia uma empresa que soube desenvolver todas as facetas da moda: feminina, masculina, infantil, decoração de interiores e perfumaria. “Era de alguma forma um pouco como Tom Ford, uma diretora artística que impôs um ‘lifestyle’ desde o início do século XX”.

Naqueles anos nasce sua paixão pelo azul, que a marca continua usando com variantes até hoje.

Foi após contemplar em Florença um afresco de Fra Angelico que Jeanne Lanvin fez do “azul quattrocento” um de seus tons favoritos. O verde Velásquez e o rosa Polignac foram outras cores preferidas.

Seu estilo teve algumas referências exóticas ao século XVIII e seus bordados, mas o que domina seus modelos é a influência do apurado art déco da época, com finas lantejoulas, pérolas e cristais bordados.

Um casaco de seda preto de 1936, que faz parte da mostra, pertenceu à condessa Greffulhe, que inspirou um dos personagens do escritor Marcel Proust. Outros modelos têm uma clara influência japonesa, como um vestido de festa de 1935 de linhas minimalistas.

Comparada à Coco Chanel, que gerenciou com habilidade a notoriedade e sua aspiração a “libertar” a mulher, Jeanne Lanvin manteve, por sua vez, um perfil mais reservado.

Na história da moda, “sempre ficou entre Madeleine Vionnet, que era uma virtuose, Elsa Schiaparelli que era uma artista, e Chanel, muito midiática”, explica Saillard.

Após sua morte, em 1946, sua filha passa a dirigir, até 1958, a maison cuja criação artística ficou a cargo de Antonio Canovas até 1963. Hoje a marca Lanvin possui 35 lojas próprias em todo o mundo e pertence à empresária de Taiwan Shaw-Lan Wangl.

O estilista israelense Alber Elbaz, que cria desde 2001 as coleções da Lanvin e participou da montagem da exposição, apresentou na quinta-feira a nova coleção outono-inverno para um público que incluiu Catherine Deneuve e Kim Kardashian.

Para Elbaz, a Lanvin é uma fonte que continua alimentando o prêt-à-portêr francês, uma forma de vestir sem dar ênfase ao estar vestida. Nos anos 1970, Karl Lagerfeld foi um dos primeiros a comprar no mercado de pulgas de Paris modelos antigos de Jeanne Lanvin, que também inspiraram Yves Saint-Laurent.

“Se é preciso explicar o que é a Alta-costura, Jeanne Lanvin é uma boa ilustração”, disse Saillard. “Compreendia muito bem que cada vestido é como uma joia”.

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